INSURGÊNCIA GLOBAL proletari

Comunicado nº 3 da Conferência Internacional

 

A Conferência Internacional, coordenaçom de organizaçons que aspiram a colaborar na reconstruçom do movimento revolucionário socialista/comunista a nível mundial, condena com toda firmeza o golpe de estadolevado a cabo na Bolívia pola oligarquia e o Imperialismo ianque, contra o Governo do Estado Plurinacional e o seu presidente, Evo Morales, e, especialmente, contra os interesses vitais de todo o Povo Trabalhador Boliviano e das diversas Naçons que o configuram.

Luita de classes, golpe de estado e guerra civil na Bolívia

Nestes dramáticos momentos para o Povo Trabalhador Boliviano, o nosso primeiro dever internacionalista como revolucionários é extrair as leiçons e ensinanças desta luita de classes exacerbada. 

Este choque frontal entre classes sociais antagónicas está levando a Bolívia às portas da guerra civil. Esta nom é outra cousa que umha guerra de classes polo controlo do poder político e económico. Um conflito total cujo desenlace nom pode ser outro que a tomada do poder de um dos dous contendentes em luita: ou a Burguesia ou o Proletariado. 

Já nom há, e já nom pode haver meias palavras, nem diálogos, nem negociaçons. Só há duas saídas a este golpe de estado.

A primeira, a perpetuaçom do Capitalismo e do Poder da oligarquia crioula, fascista e racista, apoiada polo imperialismo ianque. Isto acarrearia a derrota e o massacre do Povo Trabalhador Boliviano, e o esmagamento das suas diferentes naçons originárias. Repetiria-se, mais umha vez, a tragédia cíclica que açouta a maioria dos Povos da América Latina em luita pola sua libertaçom nacional e social.

A segunda é a vitória do Povo Trabalhador Boliviano e o início da construçom do Socialismo, em transiçom revolucionária face a sociedade sem classes, sem Estado e sem Patriarcado.

 

A verdade é sempre revolucionária

O nosso dever revolucionário é dizer a verdade, a nossa verdade proletária, combatente e antagónica contra as mentiras da burguesia boliviana e o imperialismo ianque, contra a demagogia alienante do reformismo e o oportunismo socialdemocrata. Caia quem cair e doa a quem doer. Só assim poderemos reconstruir o movimento revolucionário socialista/comunista a nível mundial.

De nada serve repudiar ou condenar o golpe de estado da oligarquía e apelar à solidariedade com o Povo Trabalhador Boliviano, ou no seu caso, Chileno, Equatoriano ou do Haiti, se nom se sinalam as causas e asraízes desta situaçom trágica para a causa da libertaçom nacional e social das massas oprimidas, exploradas e empobrecidas de todo o mundo. 

De nada serve convocar jornadas mundiais de solidariedade com a Bolívia se nom se fai desde umha linha política revolucionária, que nom faga a mais mínima concessom, teórica ou prática, ao revisionismo, ao oportunismo, ao reformismo, ao eleitoralismo e a todas as múltiplas variantes da socialdemocracia, se disfarcem como se disfarcem e se ocultem detrás das bandeiras que se ocultem, embora forem estas as mais fermosas e sagradas. 

De nada serve exigir, convocar, apelar, rejeitar..., se nom se explicam aos Povos Trabalhadores de todo o planeta os falhos e erros políticos cometidos polo movimento revolucionário boliviano, os quais tenhem possibilitado e facilitado o golpe de estado da oligarquia e o Imperialismo, desarmando o Proletariado. Sem destruir os aparelhos do Estado Burgués, sem tomar o poder, sem armar o Povo Trabalhador, nom há vitória popular nem mudança social possível, e menos ainda Socialismo.

A longo prazo, nom pode haver termo médio na luita de classes, e menos ainda quando esta se aprofunda e radicaliza até chegar à guerra de classes. Quem assim o afirme, está mentindo, alienando, enganando, desorientando e desarmando os Povos Trabalhadores, e objetivamente colaborando com a oligarquia e o imperialismo.  

 

No caminho de Marx, Lenine e o Che Guevara

A Conferência Internacional é umha pequena coordenaçom de organizaçons e movimentos revolucionários, mui consciente das nossas fraquezas e carências. O nosso dever é achegar humildemente na medida das nossas possibilidades. Temos a firme e irrevocável vontade de colaborar na reconstruçom da praxe revolucionária socialista/comunista em todo o mundo, e nisso nos esforçamos. 

Esta reconstituiçom teórica e práctica passa por ter a valentia e a coragem de levantar bem altas as bandeiras da Revoluçom Socialista, que nós concretizamos nas figuras de Marx, Lenine e o Che.

É por isso que trazemos aqui as palavras do Comandante Ernesto Guevara à II Conferência Tricontinental de Havana, 16 de abril de 1967, quando já estava combatendo nas montanhas da Bolívia:

América constitui um conjunto mais ou menos homogéneo e na quase totalidade do seu território os capitais monopolistas norteamericanos mantenhem umha primazia absoluta. Os governos títeres ou, no melhor dos casos, fracos e medrosos, nom podem opor-se às ordens do amo ianque. Os norteamericanos chegárom quase ao máximo da sua dominaçom política e económica, pouco mais poderiam avançar já. Qualquer mudança da situaçom poderia converter-se num recuo na sua primacia. A sua política é manter o conquistado. A linha de açom reduz-se no momento atual, ao uso brutal da força para impedir movimentos de libertaçom de quaquer tipo que forem. 

Sob a palavra de ordem, "nom permitiremos outra Cuba", oculta-se a possibilidade de agressons a esgalha, como a perpetrada contra Santo Domingo ou, anteriormente, o massacre do Panamá, e a clara advertência de que as tropas ianques estám prontas a intervir em qualquer lugar da América onde a ordem estabelecido for alterada, pondo em perigo os seus interesses. É política que conta com umha impunidade quase absoluta; a OEA é umha máscara cómoda, por desprestigiada que esteja; a ONU é dumha ineficiência próxima do ridículo ou do trágico; os exércitos de todos os países da América estám prontos a intervir para esmagar os seus povos. Formou-se, de facto, a internacional do crime e a traiçom. 

De outra parte, as burguesias autótones perdêrom toda a sua capacidade de oposiçom ao imperialismo e só som seguidistas do mesmo. 

Nom há mais mudanças a fazer; ou revoluçom socialista ou caricatura de revoluçom”. 

 

A importáncia crucial da Teoria Revolucionária

Há mais de 50 anos o Che avisou que a Uniom Soviética estava retrocedendo face o Capitalismo. Esta análise foi confirmada totalmente polos factos 25 anos mais tarde. Lamentavelmente, os revolucionários do mundo acedimos demasiado tarde aos textos onde o Comandante Ernesto Guevara desenvolvia o seu pensamento de vanguarda, que o situa, na nossa opiniom, ao mesmo nível que Marx e Lenine na história da Teoria e Prática revolucionárias, na longa marcha da Praxe Socialista/Comunista.

Ernesto Guevara advertiu que umha Revoluçom que nom for socialista, é dizer, que nom arrebate o poder político, económico e cultural à Burguesia e destrua todos os seus aparelhos estatais; umha Revoluçom que nom construa e afortale constantemente o Poder Operário e Popular, o Estado Socialista, ou seja, e para dizé-lo com as mesmas palavras de Karl Marx, a Ditadura Revolucionária do Proletariado; umha Revoluçom que nom faga todo isso, por muito que melhore as condiçons materiais do Povo Trabalhador, por muito que nacionalice tal ou qual setor parcial da economia nacional, por muito que desenvolva a sanidade, a educaçom e a igualdade formal entre homens e mulheres, tarde ou cedo é derrotada polo Imperialismo e as oligarquias crioulas subordinadas.

Che Guevara viviu e sofreu pessoalmente a terrível derrota do movimento revolucionário guatemalteco liderado por Jacobo Arbenz, que foi derrocado polo Exército e o Imperialismo, por meio da CIA e a benefício da United Fruit, 27 de junho de 1954, há agora 65 anos. 

Os paralelismos estruturais com o golpe de estado que está atualmente sucedendo na Bolívia som doorosamente evidentes para todo militante que tenha conhecimentos de Teoria Revolucionária.  

Foi precisamente o estudo sistemático, e cada vez mais profundo das teorias de Marx e Lenine, o que lhe permitírom ao Che sacar as conclusons e ensinanças da derrota do movimento guatemalteco, reagrupar-se no México com outros revolucionários latinoamericanos, e contribuir decisivamente à vitória da Revoluçom Cubana, que num processo agudo de luita de classes e confronto com o imperialismo ianquie, declarou o seu caráter socialista 16 de abril de 1961. 

Seis anos mais tarde, dia por dia, o Che, combatente revolucionário nas montanhas da Bolívia, fazia público a sua mensagem aos povos do mundo por meio da Tricontinental. O simbolismo era evidente, mais foi progressivamente esquecido. Agora é o momento de lembrá-lo.

 

Plena vigência plena das palavras do Che

“Há que levar em conta que o imperialismo é um sistema mundial, última etapa do capitalismo, e há que batê-lo numha grande confrontaçom mundial. A finalidade estratégica desta luita deve ser a destruiçom do imperialismo. A participaçom que nos toca a nós, explorados e atrasados do mundo, é a de eliminar as bases de sustentaçom do imperialismo: os nossos povos oprimidos, donde extraem capitais, matérias primas, técnicos e operários baratos e a onde exportam novos capitais -instrumentos de dominaçom-, armas e toda classe de artigos, sumindo-nos numha dependência absoluta. O elemento fundamental dessa finalidade estratégica será, portanto, a libertaçom real dos povos; libertaçom que se producirá  através da luita armada, na maioria dos casos, e que terá, na América, quase indefetivelmente, a propriedade de conveter-se numha revoluçom socialista.

Ao focar a destruiçom do imperialismo, há que identificar a sua cabeça, a que nom é outra que os Estados Unidos de Norteamérica”.

“No podemos predizer o futuro, mas nunca devemos ceder à tentaçom claudicante de ser os abandeirados de um povo que anela a sua liberdade, mas renega da luita que esta implica e a aguarda como um anaco de vitória”.

Está na hora de atemperar as nossas discrepâncias e pô-lo todo ao serviço da luita”.

“No nosso mundo em luita, todo o que sea discrepância em torno da tática, método de açom para a consecuçom de objetivos limitados, deve analisar-se com o respeito que merecem as apreciaçons alheias. Quanto ao grande objetivo estratégico, a destruiçom total do imperialismo por meio da luita, devemos ser intransigentes”.

“Como poderíamos olhar o futuro de luminoso e próximo, se dous, três, muitos Vietname florescessem na superfície do globo, com a sua quota de morte e as suas tragêdias imensas, com o seu heroísmo quotidiano, com os seus golpes repetidos ao imperialismo, com a obriga que entranha para este dispersar as suas forças, sob o embate do ódio crescente dos povos do mundo!

E se todos fossemos capaces de unir-nos, para que os nossos golpes fossem mais sólidos e certos, para que a ajuda de todo o tipo aos povos em luita fosse ainda mais efetiva, que grande seria o futuro, e que próximo!”.

 

Há que construir o Frente Anti-imperialista Mundial

Passárom 52 anos, e novos Vietname anti-imperialistas tenhem surgido nos três continentes da periferia do Capitalismo, cada um com o seu ritmo e identidade próprias: Palestina, Síria, Líbano, Iraque, Irám, Afeganistám, Iemen, Colômbia, Venezuela, Cuba, Índia, Filipinas, Nepal, Donbass, e agora, quizás, Equador e Chile, Haiti e a Bolívia, se o Povlo Trabalhador é capaz de resistir o golpe de estado da oligarquia e contra-atacar para destruir o Estado Burguês, tomar o poder e iniciar a construçom do Socialismo. 

A melhor forma de solidariedade com o Povo Trabalhador Boliviano, com a sua classe obreira e os seus setores populares, com as massas pobres, é abrindo novos frentes de luita em todo o mundo, alá onde nos encontremos, nas nossas próprias naçons. Combate anti-imperialista que, se nom quer ser inexoravelmente derrotado pola oligarquia capitalista mundial, deverá ter um caráter anticapitalista, e portanto, obreiro e camponês, popular e proletário, é dizer, socialista/comunista revolucionário. 

Com o respeito e a compreensom profunda devida aos ritmos e especificidades históricas de cada formaçom social concreta, à identidade nacional, lingüística, cultural, social e até religiosa de cada Povo Trabalhador de este planeta, os revolucionários e revolucionárias devemos construir um Frente Anti-imperialista a nível mundial.

Este Frente Anti-imperialista deve derrotar o Capitalismo em todas as suas formas e variantes, e iniciar a transiçom socialista face as sociedades sem classes, nem Estado, nem Patriarcado. A construçom do Socialismo como ferramenta para assegurar a consecuçom de este objetivo estratégico do movimento revolucionário desde que em 1848, fosse formulado cientificamente por Marx e Engels no  Manifesto Comunista.

A Conferência Internacional exprime a sua solidariedade militante e incondicional com o Povo Trabalhador Boliviano em luita, e deseja-lhe a vitória no combate contra a oligarquia e o Imperialismo, face o triunfo da Revoluçom Socialista Boliviana. 

Comprometemo-nos a fazer todo o posível e o imposível para acelerar e radicalizar a luita nas nossas naçons, que é a melhor forma de solidariedade real e efetiva com a Bolívia. Camaradas, irmás e irmaos bolivianos, adiante, resistide e nom cedades. Nom estades sós. Luitamos e venceremos convosco. 

Nom passarám! Pátria ou morte! Venceremos! Adiante, adiante com todas as forças da História! No caminho do Che, Lenine e Marx, no caminho da Revoluçom Socialista! Até a vitória, siempre! Revoluçom ou morte! O povo armado vencerá!

 

15 de novembro de 2019