INSURGÊNCIA GLOBAL proletari

Diversos focos da imensa capacidade de explosom da raiva popular, salpicados em três formaçons sociais diversas, situadas no centro e na periferia capitalista, questionam a falsa normalidade imposta pola ditadura burguesa das “democracias liberais” na era do capitalismo global que nos conduz à catástrofe planetária.

A rebeliom no Equador contra o pacote neoliberal do FMI implementado polo governo postcorreista de Lenín Moreno; o quebramento nas ruas do falso consenso da via catalana à independência após a sentença de prisom imposta aos dirigentes independentistas; e o levantamento popular em curso no Chile postpinochetista, paradigma do capitalismo na América Latina, tenhem umha similar origem e coincidente fio condutor.

Som expressons da incapacidade genética para resolver os problemas das camadas subalternas, e do esgotamento do modelo socio-político imperante do capitalismo na sua fase imperialista crepuscular, derivado da ilimitada prepotência e desprezo das oligarquias polas imensas maiorias, da infame linha pactista e conciliadora das organizaçons denominadas de “esquerda”, e da fúria silenciosamente acumulada em amplas camadas populares e segmentos das classes médias empobrecidas contra o status quo.

A combinaçom de ambos factores, facilita que sem previsom nem orientaçom das direçons do movimento popular, detonem encolerizados anos e anos de agravos, de humilhaçons, de baixos salários e pensons combinados com um contínuo incremento do custo da vida, de precariedade e desempregos, de abusos policiais e retrocessos em liberdades, de emigraçom e falta de futuro, de deterioramento da sanidade e serviços públicos pola privatizaçom, de suportar ladrocínios geralizados das elites burguesas, de estafas bancárias e resgates financieiros, de desatençom às demandas e reivindicaçons dos cada vez maiores setores populares danificados e portanto desafetos com o modelo imperante.

No Equador foi a pretensom de retirada de subsídios aos combustíveis e reduçom de salários no funcionariado; na Catalunha a perda de paciência provocada pola frustraçom perante a ausência de resultados tangíveis gerados pola farsa do procés dirigido pola burguesia e  pequena-burguesia nacionalista e ausência de um pólo classista capaz de desputar o falaz relato de Puigdemont/Torra e Junqueras/Rufián; no Chile o incremento do preço do bilhete do metropolitano num país onde o crescimento macroeconómico é sinóniomo de miséria e cortes de direitos e liberdades.

As medidas económicas desencadeantes das rebelions no Equador e no Chile nom provocam, na imensa maioria das formaçons sociais onde se aplicárom ou aplicam similares receitas, ditadas polo FMI e o Banco Mundial, umha resposta popular tam contundente.

As peculiaridades das suas específicaçosn formaçons sociais, da história da luita e classes e correlaçom de forças, som determinantes à hora de tentar compreender as explosons.

Mas o caldo de cultivo nestes três casos é similar: medidas antipopulares e carência de perspetivas no bloqueio da situaçom, e incapacidade da “esquerdinha” para freá-las ou desentupí-las empregando a via institucional.

Curto percorrido

Elevadas doses de espontaneismo semelham caraterizar, com diversos matizes, os três fenómenos que aterram às oligarquias e preocupam às dirigências das “esquerda” eleitoralista.

No Equador a explosom estivo basicamente dirigida polo movimento indígena, bem organizado e vertebrado, e polo movimento sindical e popular, mas careceu de vontade política para fazer transitar a retirada do pacote neoliberal à queda de Moreno e instauraçom de um governo operário, indígena e  popular.

No Chile, ainda quente os ecos do Equador, a imediata retirada do incremento do preço do transporte metropolitano e a militarizaçom das principais cidades do país, ainda nom logrou frear a rebeliom.

Na Catalunha o acordo entre bambalinas existente entre ERC, PSOE e a nova socialdemocracia, o imediato horizonte eleitoral, a carência de estratégia de confrontaçom da direçom do ”anticapitalismo” institucional refêm do inofensivo relato “processista”, e basicamente a carência de umha vanguarda com linha, discurso e composiçom proletária, impossibilitam que a luita de rua se vaia progressivamente alargando, somando povo trabalhador, desbordando os estreitos mecanismos de participaçom popular, abrindo ainda mais a fenda do regime de 78.

O curto percorrido inerente às explossons populares que nom transitam face processos revolucionários que procuram desputar o poder da burguesia e vencé-la, facilitam vias de escape às tensons acumuladas que posteriormente serám geridas de forma oportunista polos diversos reformismos, mas também geram frustraçom e desmobilizaçom na ulterior fase de refluxo que acompanha este fenómeno consubstancial à luita de classes.

Leiçons a extrair

Sem lugar a dúvidas os três processos constatam a inutilidade dos grupos da “esquerda” nos respeitivos parlamentos burgueses, volcados na gestom do capitalismo, na procura de acordos com o social-liberalismo, dos falsos consensos ao gosto nas cámaras patronais e conselhos de administraçom dos bancos. Umha “esquerdinha” despreocupada pola organizaçom e mobilizaçom popular, alheia e hostil a toda estratégia visada para organizar a Revoluçom Socialista mediante a promoçom de luitas que atinjam vitórias imediatas.

O submetimento às agendas e objetivos eleitorais que carateriza o acionar da totalidade destes partidos, transformarom-nos em funcionais forças das margens sistémicas, meras maquinárias eleitorais modeladas pola mercadotecnia e o politicamente correto.

Os três processos reafirmam a vigência, plena atualidade e legitimidade dos métodos históricos da luita operária e popular. Da barricada e o fulgor do lume, da importância e necessidade pedagógica permanente de desputar o monopólio da violência à burguesia, do questionamento dos paradigmas e estreitos espartilhos do acionar da esquerdinha anémica e acomplexada.

Mas também constatam as limitaçons do espontaneismo, e a trágica ausência de umha vanguarda operária organicamente vertebrada em partido comunista revolucionário, com capacidade de articular e  unificar as múltiplas e diversas demandas do povo trabalhador, de incrementar a consciência, dotada de programa tático estratégico.

O combate de linhas é tam imprescindível no seio do movimento operário e popular, como a rutura das falsas unidades interclassistas e patrióticas que só facilitam que a pequena-burguesia imponha a sua linha pactista. Só a independência de classe permite avançar na emancipaçom do povo explorado e oprimido, só a independência de classe garante possibilidades de êxito.

Equador, Catalunha, Chile, … assim como outros exemplos deliberadamente ocultos pola ditadura mediática como a rebeliom que leva semanas sacudindo o Haiti, contribuem a erosionar a via parlamentar, a injetar moral na desarticulada e desorientada esquerda revolucionária repregada nos quartéis de inverno, mas também empurram na necessidade de dar passos firmes na articulaçom de espaços de debate e coordenaçom internacionalista.

A besta capitalista, ferida, mas com suficiente “saúde” como para seguir sementando dor e miséria nos cantos de todo o planeta, nom pode ser derrotada só a escala local. Constituir umha insurgência global é umha tarefa tam importante como reconstruir nos nossos respetivos países a esquerda revolucionária socialista/comunista.

No ano no que comemoramos o centenário da III Internacional constatamos como a burguesia alimenta a sua face mais terrorista -o fascismo-, para perpetuar a sua dominaçom. Centrarmos energias em configurar um bloco popular antifascista é, e deve seguir sendo, umha das prioridades da esquerda revolucionária galega.

Galiza, 21 de outubro de 2019